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Suas Certezas Podem Estar Te Enganando
Adriana Ferrareto - Edição #019

Achamos que somos racionais, que tomamos decisões com base em fatos e que nossas opiniões são bem fundamentadas.
Mas, e se na verdade estamos apenas justificando o que já sentimos?
Jonathan Haidt, em A Mente Moralista, mostra que nossa moralidade e nossas considerações não vêm da razão, mas da intuição.
O problema? Não buscamos a verdade, buscamos justificativas para defender o que já acreditamos. Vivemos em uma “Matrix moral” – um sistema de crenças que nos une, mas também nos cega para outras perspectivas.

Haid usa uma metáfora clara: o elefante e o cavaleiro.
O elefante, majestoso e poderoso, encarna nossas emoções, intuições e instintos morais.
É ele quem, com sua força e presença, realmente determina o rumo a seguir.
O cavaleiro, por outro lado, simboliza nossa razão.
Ele se ilude, acreditando estar no comando, mas na verdade, apenas cria explicações para o trajeto que o elefante já decidiu trilhar.
Como Isso Acontece na Vida Real?
Imagine que você quer comprar um carro novo. Você se apaixona por um modelo esportivo vermelho. Seu elefante já decidiu: "Esse é o carro dos meus sonhos."
Mas seu cavaleiro (razão) precisa justificar essa escolha. Então, você começa a procurar “fatos”:
🔹 "É um carro seguro!" (mesmo que existam opções mais seguras).
🔹 "O consumo de combustível nem é tão alto!" (mas você ignora modelos mais econômicos).
🔹 "O valor de revenda é ótimo!" (mas na verdade você nem checou os dados).
Você não está analisando racionalmente – está apenas coletando argumentos para validar sua decisão emocional.
Isso acontece o tempo todo: nas compras, nos relacionamentos, no trabalho.
Agora pense: e se isso também acontecer com suas crenças políticas, religiosas ou sobre qualquer tema importante?
O Perigo de Viver Dentro da Própria Bolha
Se nossas opiniões são formadas mais pela intuição do que pela lógica, então uma coisa se torna evidente:
somos naturalmente inclinados a procurar provas que confirmem o que já está sólido em nossa mente e a rejeitar informações que nos desafiem. Isso explica por que debates políticos parecem tão irracionais.
Não importa quantos dados você apresente, outra pessoa dificilmente mudará de opinião – porque o cavaleiro dela não está buscando a verdade, mas sim protegendo o caminho escolhido pelo seu elefante.

a pessoa dentro de uma bolha - Imagem gerada por IA
O mesmo vale para qualquer crença que tenhamos:
Se considerarmos que uma pessoa ou grupo é mal-intencionado, tenderemos a interpretar qualquer ação deles como prova disso.
Se acreditamos que somos pessoas boas e justas, resistimos à ideia de que podemos estar errados.
Se confiamos em uma fonte de informação, rejeitaremos qualquer outra que a contradiga.
Jonathan Haidt argumenta que pensamos mais como advogados do que como cientistas :
Um cientista busca a verdade, testa hipóteses e aceita estar errado.
Um advogado defende uma posição e busca argumentos para sustentá-la, ignorando o que não ajuda sua causa.
Como quebrar esse ciclo?
Se queremos realmente pensar melhor e tomar decisões mais inteligentes, precisamos escapar da armadilha do elefante .
Aqui estão três sugestões do autor para isso:
1. Questione suas próprias opiniões
Quando você sentir que tem certeza absoluta sobre alguma coisa, faça uma pausa e pergunte a si mesmo:
E se eu estiver errado, como vou perceber?
O que poderia me fazer mudar de ideia?
Será que estou deixando de lado alguns fatos só porque eles me incomodam?
Antes de descartar uma ideia, tente entendê-la do ponto de vista de quem acredita nela.
Se algo te irrita, pergunte-se: por que isso me incomoda tanto?
A verdade é que a maioria das pessoas não faz esse tipo de reflexão.
E é por isso que muitas acabam passando a vida apenas confirmando o que já acreditam, sem realmente ampliar sua visão de mundo.
"A mente humana é como um advogado, não como um cientista. Ela defende o cliente, não busca a verdade."
Isso significa que, se você quer ser intelectualmente honesto, precisa se obrigar a considerar que pode estar errado .
2. Leia, ouça e converse com o outro lado
Se você apenas consome informações que reforçam sua confiança, seu cérebro se torna uma câmara de eco.
Haidt mostra que as pessoas que realmente conseguem mudar de opinião e pensar de forma mais clara são aquelas que se expõem a diferentes perspectivas .
O que você pode fazer?
Explore livros de autores que têm opiniões diferentes das suas.
Bater um papo com pessoas que pensam de maneira oposta pode ser muito enriquecedor – e não precisa ser para convencê-las de nada, mas sim para compreender melhor suas perspectivas.
Procure identificar algo válido nos argumentos do outro lado. Isso não quer dizer que você precise mudar suas crenças, mas é sempre bom colocá-las à prova de vez em quando.
3. Pratique a humildade intelectual
A verdade que conhecemos geralmente vem de uma única perspectiva.
Quando acreditamos ter todas as respostas, deixamos de aprender. Nossas opiniões nos ajudam a formar nossa identidade e a nos sentir parte de algo, mas também podem nos impedir de aceitar novas ideias.
Para tomar melhores decisões na vida, nos negócios e nos relacionamentos, é importante tentar ver as coisas de diferentes maneiras.
Isso não significa que precisamos deixar de lado nossos valores ou crenças, mas é bom questionar nossas certezas de vez em quando.
Ao desafiar nossas certezas, nos abrimos para novas ideias, aprendendo com visões diferentes e tomamos decisões mais inteligentes e éticas.
"A sabedoria começa com a humildade diante da complexidade do mundo."
A questão é: você está pronto para tomar a "red pill" e enxergar além da sua Matrix?
1 única coisa a se lembrar:
Questione suas certezas – a verdade é maior do que a sua perspectiva.
Assunto dessa semana no meu Instagram: Engajamento
Abraço afetuoso e até nossa próxima carta.
Adri
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