- Adriana Ferrareto
- Posts
- Res[piro]
Res[piro]
Adriana Ferrareto - Edição #022

Bem-vinda(o) à edição especial da sua news semanal! Uma vez por mês, dentro da newsletter Adriana Ferrareto, trarei a news Res[piro] — um convite para pausar, respirar e se reconectar. Um espaço para desacelerar, refletir e encontrar leveza no meio da rotina. Porque, às vezes, tudo o que precisamos é de um instante de presença antes de seguir em frente.
Ontem assisti o filme Dias Perfeitos e fui arrebatada para esse lugar de presença na vida.
Conseguir essa presença para o Res[piro] não é fácil pra mim, nem pra você, pra ninguém.
Então resolvi que 1 vez por mês, a news será sobre RES[PIRO].
Ah, mas sou CEO de uma multinacional e me inscrevi na sua news para ler sobre cultura organizacional, performance, etc. - RES[PIRE]
Sou lider de um time e quero aprender a como liderá-los. RES[PIRE]
Me inscrevi para ler sobre carreira, então RES[PIRE].
RES[PIRO]
Porque, às vezes, tudo o que precisamos é de um instante de presença antes de seguir em frente.
RES[PIRO]
O instante em que o ar entra e sai dos pulmões, trazendo vida. O espaço entre um caos e outro, onde se faz o alívio.
O orifício que permite a passagem, um fôlego entre dores, um lampejo de sossego. A respiração como presença, como ponte entre estar e permanecer.
Às vezes, o respiro é raso, um fiapo de ar mal dado, preso entre os dentes cerrados, sufocado pelas pressas do dia.
Outras vezes, ele é fundo, largo, como se o peito abrisse portas e janelas ao mesmo tempo.
O respiro nos ensina a lidar com o tempo, a criar pausas entre as corridas, a perceber que nada deveria ser contínuo e incessante. Até o fogo precisa de um vão para dançar.
O respiro, no forno, permite que o calor escape.
Na alma, uma pausa necessária entre quedas e recomeços.
Quantas vezes na vida buscamos esse respiro?
Um momento para soltar, para abrir um vão dentro de nós, para permitir que a dor encontre uma saída e que a esperança encontre uma entrada.
Lembro da primeira vez que perdi o respiro de verdade. Pequena, coberta por um cobertor pesado demais, brigando com a asma e o medo.
Ou daquela vez, já adulta, quando a vida bateu forte e o peito apertou, seco, duro, sem fôlego.
Mas também lembro do respiro depois da lágrima, do primeiro ar depois do mergulho, do alívio depois do grito.
O respiro é a trégua, o instante em que nos encontramos conosco antes de mergulhar outra vez. É o silêncio depois do grito, o descanso depois do peso, a pausa antes do passo.
Porque sem respiro, sufocamos. Sem espaço, desmoronamos. Sem esse ar que entra e sai, não há vida – apenas um amontoado de cansaços.
E você, tem feito pausas?
Quando foi a última vez que permitiu um res[piro] de verdade, sem culpa?
O que precisa acontecer para você fazer seu tempo de res[piro]?
Consegue ouvir o próprio ritmo ou apenas corre no compasso imposto pelo mundo?
Ano passado em meio a excesso de trabalho, precisei parar para escrever a respeito. Por vezes, a escrita é esse Res[piro] que tanto preciso.
Gosto de olhar pela janela e me perder nas árvores e nos pássaros, cada um vivendo seu dia, silencioso e pleno. Um verde vasto se espalha e desdobra, pontilhado por incontáveis tons que vibram com o leve movimento de pequenas criaturas coloridas, dispersas aqui e ali.
As cores se tocam, as vidas se entrelaçam, os sons nascem e se dissipam suavemente.
Minha respiração se ajusta, os músculos se desprendem, os olhos encontram repouso, a mente pousa.
Olhar pela janela da sala é um bálsamo — descanso silencioso para o corpo e a alma.
Mas há dias em que a intensidade me toma.
Nesses momentos, puxo a persiana, acendo a luz branca do escritório, e as únicas cores que vejo são as da tela do computador.
Observo, enquanto atendo, pessoas imersas em rotinas agitadas, em lugares cinzentos e ruidosos. O som plástico dos crachás ecoa, misturado ao turbilhão de gestos apressados.
Seus olhares, vidrados, carregam cansaço, e em alguns vislumbro um pedido silencioso de socorro, afogados nas demandas que os puxam para longe de si.
Converso com essas pessoas, assombradas pelo peso de existir, tão presas em futuros incertos que perdem o agora.
Minha musculatura se contrai, a respiração acelera, e, sem perceber, deixo-me enlaçar por suas dores e inquietações.
Pela fresta da persiana, lembro-me da janela.
Ela me espera, silenciosa, pronta para reorganizar minha casa interior. Basta olhar, permitir que a vida lá fora me inunde, sem pressa, apenas deixar que me atravessem as cores e os ritmos.
A natureza me sussurra que a vida talvez seja menos sobre segurar e mais sobre soltar, como o vento que sopra entre as folhas.
Quero te convidar a compartilhar: como você encontra o seu res[piro]?
O que te ajuda a chegar nesse lugar de presença?
Escreva, reflita, troque comigo.
Abraço afetuoso,
Adriana
Como você avalia a edição da newsletter hoje?Seu comentário é muito importante para mim. |
Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas. |
Reply